Academia Amazônia Ensina: a experiência amazônica como trunfo para arrebatar corações e mentes para novos paradigmas

Um negócio que tem no seu centro promover imersões à Amazônia para estudantes, empreendedores, investidores e outros públicos que desejam conhecer melhor esse exuberante e ao mesmo tempo frágil ecossistema brasileiro. É isso o que define a Academia Amazônia Ensina (AAE), que usa a ciência e o contato com a cultura e os saberes dos amazônidas para descortinar esse mundo àqueles que não o conhecem.

Criada em setembro de 2018 por João Tezza a partir da ideia de preparar estudantes e profissionais para as novas habilidades do futuro, a AAE oferece as Expedições Amazônia 21, formações imersivas desenvolvidas para difundir e debater temas relacionados à sustentabilidade e preparar pessoas para os desafios econômicos, sociais e ecológicos no século 21, tendo a Amazônia como espaço de pesquisa, vivência e aprendizado.

As expedições acontecem em dois momentos. O primeiro, na cidade de Manaus, promove visitas a instituições estratégicas, o que possibilita o acesso a especialistas em diversas áreas. No segundo momento, é promovida uma vivência em navegação, visitando áreas de preservação e comunidades ribeirinhas com atividades que envolvem experiências sensoriais e contribuem para um entendimento mais abrangente da região.

As Expedições Amazônia 21 têm diferentes formatos voltados para focos e públicos distintos. Em 2019, foram realizadas duas expedições voltadas a estudantes, envolvendo 29 participantes. No início de 2020 foram promovidas outras duas: uma voltada a startups e uma versão personalizada para uma comitiva de investidores de outros países. 

 “Temos uma sensação de dever cumprido quando percebemos a troca profunda e verdadeira que as pessoas têm quando estão aqui conosco, seja no campo acadêmico, seja no campo holístico, sensorial, na conexão com a natureza e com as comunidades. E é com certeza uma sementinha que plantamos, pensando em uma sociedade melhor e envolvendo pessoas que, no futuro, podem estar em posições de decisão no país”, avalia Maria Eugenia Rocha Tezza, coordenadora executiva da AAE.

Pandemia: tempo de adaptação

Em setembro de 2020, a Academia Amazônia Ensina – iniciativa da Original Trade, empresa incubada no INPA – completou dois anos de existência, e sua atuação tem sido duramente afetada pelo isolamento social trazido pela pandemia da Covid-19. Mas isso não impediu que o negócio avançasse em frentes como Ensino à Distância (EAD) e buscasse soluções para as comunidades ribeirinhas também afetadas pela paralisação das expedições presenciais.

Enquanto não é possível retomar as imersões in loco, a AAE trabalha no desenvolvimento de um curso à distância sobre a Amazônia, focado em oportunidades da bioeconomia, Cinco encontros virtuais acontecerão a cada edição do curso, dos quais dois serão seminários com a participação de profissionais reconhecidos em diferentes campos de estudo e atuação voltados à floresta. 

“Queremos oferecer muitos dados, informações, conhecimento sobre a Amazônia. Estatísticas, séries históricas de desmatamento, de crescimento e decrescimento de produção, da economia florestal, da agropecuária, da mineração, enfim. Mas o cerne do curso, além de oferecer informações para entendimento do quadro da Amazônia, é pensar oportunidades da bioeconomia e modelagem de negócios, com um olhar de conservação no longo prazo”, diz João Tezza.

A atividade de Ensino à Distância (EAD), que já estava em desenvolvimento pela AAE, se acelerou com a pandemia e deve se concretizar nos próximos meses. Ao mesmo tempo, a AAE avança no planejamento e preparação da próxima Expedição Amazônia 21, presencial, que se desenha para julho de 2021 se houver segurança para deslocamento. “Estamos trabalhando também em um planejamento paralelo caso ainda existam algumas restrições. Estaremos preparados para um nível de rigor bem alto em relação à segurança sanitária da expedição”, relata João.

Do mesmo modo que a AAE precisou suspender as expedições presenciais, as comunidades visitadas e impactadas positivamente pelos expedicionários também pararam de receber as pessoas e de comercializar a produção artesanal, serviços de guia e alimentação.

A AAE trabalha também em modos de ajudar essas comunidades. Uma das atividades previstas ainda para este ano é promover seções virtuais do filme “O Rio Negro são as Pessoas”, documentário que dá voz a pessoas ribeirinhas da região, dirigido por João e Juliana Barros em 2019, além de lives envolvendo personagens e realizadores do filme.

O documentário busca desvendar o significado de ser e crescer às margens de um rio com a força do Rio Negro, envolto em densa floresta e cercado por elementos globais da atualidade – a necessidade de partir, o desejo de voltar, a escolha por ficar, a imensidão, o tempo do rio. Histórias locais que possibilitam elementos universais para a reflexão sobre a vida humana.  

A renda gerada com a exibição será convertida em ações junto a essas comunidades, buscando auxiliar no desenho e desenvolvimento das atividades comerciais já exercidas de modo mais ou menos informal, em formações voltadas ao empreendedorismo e até no desenvolvimento de novos negócios que possam gerar renda para os ribeirinhos e ribeirinhas.

Aceleração

Um dos 15 negócios selecionados para participar do Programa de Aceleração e Investimento de Impacto da Plataforma Parceiros pela Amazônia em 2020, a Academia Amazônia Ensina participa, assim como os outros 14, de atividades virtuais. Apenas um encontro presencial, de três previstos para o ano, foi realizado, no final do mês de fevereiro. Os demais foram convertidos em jornada digital que vem se desenvolvendo ao longo dos últimos meses e segue até o final do ano.Para João Tezza, o Programa é essencial para novos negócios que carregam “esse DNA da transformação de paradigma. Não se trata de abrir negócios com fórmulas que estão sendo usadas há cem anos, mais ou menos na mesma lógica. Essas startups que são apoiadas pelo Programa, na maioria dos casos, são negócios que enfrentam dificuldades adicionais porque estão rompendo os limites desse paradigma passado. Então é fundamental que tenham uma estrutura de suporte, de apoio, para que superem essas dificuldades no início. E nesse sentido o Programa tem sido valente, ” avalia João, destacando ainda a importância do apoio econômico dado pelo Programa, que tem possibilitado à AAE o fôlego necessário para rever o planejamento com toda a limitação trazida pela pandemia.

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