Turma de 2020 do Programa de Aceleração da PPA inicia sua jornada

Reunidos durante cinco dias (17 a 21/02), integrantes dos 15 negócios selecionados pelo Programa de Aceleração da Plataforma Parceiros pela Amazônia participaram de uma oficina de modelagem de negócios e construção de indicadores com o objetivo de apoiá-los na construção e no aprimoramento de modelos de negócio e indicadores de resultado e impacto. 

A programação foi direcionada ao diagnóstico do estado dos negócios, criação de um plano de desenvolvimento individual e aprofundamento de um olhar pessoal para os empreendedores, fomentando ao máximo o ambiente de trocas e a construção de redes. Também foram abordados fluxo e modelo de negócio, geração de receita, avaliação e monitoramento e cultura organizacional. 

O encontro foi facilitado pela Sense-Lab e Move Social, parceiros do Programa e idealizadores do Modelo C, e também pela Maniê, consultoria que apoia o desenvolvimento de pessoas e organizações que buscam gerar impacto positivo.  

O Modelo C ajuda negócios de impacto a desenhar, em uma narrativa única, suas duas dimensões – impacto e sustentabilidade -, integrando ferramentas eficientes que têm sido utilizadas para modelar esses negócios: Business Model Canvas, que se concentra no desenho do negócio, e a Teoria de Mudança, que olha para a cadeia de resultados.

O resultado desta primeira oficina foi a realização de uma modelagem com base no modelo C de cada negócio, uma matriz de indicadores elaborada a partir dessa modelagem e um plano de ação que guiará toda a jornada do Programa.

Uma das particularidades do Programa de Aceleração da PPA é a customização a partir das necessidades dos próprios negócios acelerados. Assim, além dos planos de ação individuais construídos ao longo desses cinco dias, o grupo sugeriu temas a serem abordados nos próximos encontros presenciais, que deverão acontecer nos meses de abril e junho. O Programa tem seis meses de duração, e inclui ainda mentorias individuais, assessoria jurídica, contábil e de marca, bolsas para participação de eventos e cursos. 

“Estamos extremamente empolgados com essa nova turma. São negócios e empreendedores que têm potencial para transformar a economia da região, cada um na sua área, em sua especialidade. E a construção dos modelos de negócio e das Teorias de Mudança de cada um deles nos permitiu avaliar em profundidade o impacto que cada um quer gerar e construir também os indicadores que irão avaliar o crescimento desses negócios. É uma turma extremamente promissora”, avalia Mariano Cenamo, diretor de novos negócios do Idesam, instituição implementadora do Programa de Aceleração da PPA. 

A coordenadora do Programa, Ana Carolina Bastida, avalia o primeiro encontro dos empreendedores muito positivamente, destacando o fato de eles terem definido, por meio do planejamento estratégico elaborado com base no Modelo C, em quais desafios avançar nos próximos meses. Ao mesmo tempo, a coordenação do Programa passou a entender também as fragilidades e desafios de cada negócio e como contribuir para o avanço deles. “Outro ponto a destacar é que, com a Teoria de Mudança e a matriz de indicadores construídos ao longo desses dias, já sabemos quais os principais itens a serem mensurados nas próximas etapas do programa, em termos de mudança, de impacto e de resultados”, completa.

Imersão proporcionou conexão entre os empreendedores

O primeiro workshop de 2020 durou cinco dias, em três dos quais os empreendedores ficaram imersos em um hotel de selva sem conexão com internet. Nesse período, o grupo trabalhou intensamente o Modelo C, ao mesmo tempo em que estabeleceu laços mais aprofundados, encontrando similaridades nos desafios de seus negócios e possibilidades de cooperação.

“É um grupo diverso, mas complementar. Isso proporciona uma troca bem rica e fortalece a rede. Eles saem desse workshop bem unidos no senso de propósito, da Amazônia, dessa causa maior. E nós percebemos um alinhamento de intenções muito grande no Programa de Aceleração da PPA, no cuidado com a seleção, com o grupo de facilitadores, nossa sensação é de fluxo de trabalho. Saímos empolgados com o grande potencial de impacto dessas iniciativas”, avaliam Vitor Motomura e Julia Florez, da Maniê.

Yurik Ostroski, do Sense-Lab, destaca que o processo de seleção bem feito para chegar aos 15 negócios acelerados fez toda a diferença na composição do grupo, e que durante a aplicação do Modelo C, ao olhar mais de perto a estrutura de cada um deles, transparece uma consistência já muito grande no dia a dia das iniciativas. “Precisam de uma lapidação aqui e ali no modelo de negócios, talvez nos indicadores, mas na essência eles já têm uma causa muito forte de transformação. Procuramos criar uma energia, durante a facilitação, para que os conteúdos não ficassem muito maçantes, e colocamos em todos os dias muitos momentos de conexão entre eles. Quando se trabalha com problemas sistêmicos, precisamos estimular essa união, as trocas entre quem já testou coisas e pode ajudar. Vi isso acontecendo em vários momentos. Embora eles estejam trabalhando muitas vezes com cadeias diferentes, têm muito aprendizado comum nos modos de fazer. Para nós, estar nessa rede de parceiros que o Idesam, o Programa de Aceleração e a PPA proporcionam é formidável. Aprendemos muito. ” 

Antônio Ribeiro, da Move Social, lembra que o campo dos negócios de impacto é novo, e que vem sendo construído de modo coletivo: “A proposta do Programa de Aceleração da PPA surge muito atenta a essa construção coletiva de um campo de investimento e negócios de impacto. A gente vê isso no dia a dia do trabalho com os empreendedores e empreendedoras. É bacana ver parceiros, empreendedores e todo mundo ligado à PPA buscando pensar junto o que é esse campo, como atores do campo social e ambiental, resistindo às diversas pressões que estão acontecendo. Essa é a força de um programa como esse. Trazer as diversas vozes dos diferentes atores do ecossistema pra fazer junto. É uma perspectiva coletiva e de resistência.”

O grupo que participa do Programa de Aceleração da PPA em 2020 é composto por negócios que trazem soluções em agricultura e pecuária sustentável, manejo e produção florestal, produtos e serviços ambientais, educação para conservação do meio ambiente, mitigação e adaptação às mudanças climáticas, dentre outros. Três cooperativas extrativistas integram a turma, o que proporcionou também trocas bastante construtivas entre elas desde o primeiro dia. 

“Tínhamos que ter um treinamento desses antes de sermos empreendedoras, porque erramos muito. A vontade de ser empreendedora e a necessidade são maiores do que o conhecimento que a gente tem para isso. Logo no primeiro dia do workshop a gente já ‘bateu’ realmente na ferida, olhando para onde estão os nossos problemas, onde precisamos melhorar, para a nossa organização mesmo. E estar junto com outras cooperativas está nos ajudando a pensar problemas comuns”, avalia Hélia Félix, da Cacauway, empreendimento da Cooperativa Agroindustrial da Transamazônica, localizada em Medicilândia, no Pará, que fabrica chocolate a partir do cacau extraído pelo grupo.

Dos 15 negócios participantes, seis estão localizados no estado do Amazonas, quatro no Pará, dois em Mato Grosso, dois no Rio de Janeiro e um em Santa Catarina. Pela primeira vez, durante o processo de seleção dos negócios, o Programa de Aceleração abriu a possibilidade de inscrição para empresas sediadas em outras regiões do país, desde que estivessem dispostas a abrir endereço na região Norte em até seis meses após o início do Programa.

“A gente conhece tão bem o nosso projeto, sabe falar sobre ele, mas quando temos que colocar no papel temos um pouco de dificuldade. Com esse workshop, a gente conseguiu, e vimos como o nosso projeto é bonito, causa mesmo impacto. Isso nos dá uma visão ampliada do nosso negócio, e está abrindo a minha mente para muitas coisas”, diz Adriano Lima, da Prátika Engenharia, negócio que leva energia solar a comunidades indígenas e quilombolas isoladas da Calha Norte do estado do Pará.

Maria Eugênia Tezza, da Academia Amazônia Ensina – empreendimento que promove viagens de imersão na Amazônia para debater sustentabilidade, tecnologia, conservação, desenvolvimento econômico e outros temas do século XXI junto a jovens, estudantes e empreendedores – avalia que a participação no Programa de Aceleração da PPA vai ajudar a definir indicadores que proporcionarão um melhor entendimento do impacto que o negócio gera na vida das pessoas, tanto daquelas que vivem nas comunidades visitadas durante as expedições como na das pessoas que participam do processo, vindas de outras regiões do país. “Estou descobrindo coisas importantes sobre mim também durante esse processo, como empreendedora, como mulher, como uma pessoa jovem que está inserida nesse universo de empreendimento de impacto. Estar nesse grupo de negócios, que olham todos para a Amazônia, faz toda a diferença. ” 

Sobre o Programa de Aceleração e a PPA

O Programa de Aceleração da PPA se destaca por estar 100% dedicado ao empreendedor que atua na floresta Amazônica, às suas demandas e realidades regionais. Além do processo de incubação e aceleração dos negócios, o programa oferece oportunidades de investimento, cooperação, networking e a criação de uma comunidade de negócios sustentáveis interconectados.

É liderado por um grupo de empresas da PPA, coordenado pelo Idesam e conta com apoio estratégico e financeiro da USAID, CIAT, Instituto Humanize e Fundo Vale.

A PPA (Plataforma Parceiros pela Amazônia) é uma plataforma de ação coletiva, liderada pelo setor privado, que busca a construção de soluções inovadoras, tangíveis e práticas para o desenvolvimento sustentável, conservação da biodiversidade, florestas e recursos naturais da Amazônia. Atua por meio de quatro grupos temáticos (GTs): (1) Empreendedorismo, investimento de impacto e aceleração de negócios sustentáveis; (2) Oportunidades estratégicas de investimento, com base em incentivos fiscais e bioeconomia; (3) Fortalecimento de cadeias de valor Amazônicas e compras locais; (4) Fortalecimento de relações entre comunidades e empresas com base em gestão territorial integrada e Usos Socioambientais de Reservas Privadas. O Programa de Aceleração integra o GT1.

>> Saiba mais sobre os negócios acelerados em 2020

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