Programa de Aceleração da PPA cria plano emergencial para empreendedores amazônicos na crise da Covid-19

Empreendedores e empreendedoras acelerados pelo Programa em imersão no primeiro workshop de 2020, em fevereiro.

 

A crise e a necessidade de isolamento social trazidas pelo coronavírus atingiram em cheio os negócios de impacto na Amazônia e, consequentemente, as comunidades envolvidas em suas cadeias produtivas. Com a queda nas vendas, muitos desses empreendedores estão em processo de revisão de cronogramas, planejamento e se adequando ao comércio online.

O Programa de Aceleração e Investimento de Impacto da Plataforma Parceiros pela Amazônia, juntamente com apoiadores e parceiros, tem se movido para fortalecer os negócios acelerados.

São cinco as frentes do Plano de Ação do Programa para esse momento:

>> Aumento de vendas e receitas, por meio de parcerias que potencializem comércio online, compras institucionais e campanhas;

>> Programa de mentorias e rede de apoio, buscando qualificar os negócios em áreas como estratégia comercial, gerenciamento de crise, estruturação de negócios e desenvolvimento pessoal;

>> Revisão de investimento, com flexibilização do cronograma de pagamentos de empréstimos revisão do plano de uso de recursos e remodelagem financeira para os próximos meses;

>> Apoio à logística, com oferecimento de soluções de distribuição, parcerias com empresas de transporte e frete coletivo;

>> Fundo emergencial de capital de giro, com aportes de R$ 10 mil a R$ 20 mil, como doação ou empréstimo a juro zero.

“Com o isolamento ocasionado pela pandemia, o Programa se reorganizou e tem nesses meses como principal norte ajudar os negócios a se fortalecer e serem resilientes, seja intermediando a flexibilização de pagamentos e empréstimos, oferecendo soluções logísticas que facilitem a venda à distância, com parcerias que ampliem o alcance de seus produtos e mesmo ofertando capital para se manterem em funcionamento. As atividades previstas para o ciclo de aceleração de 2020 continuam, mas adaptadas a essa situação”, diz Mariano Cenamo, coordenador do Programa de Aceleração  e Investimento de Impacto da PPA.

“Pequenos negócios e startups correm mais risco durante a pandemia, principalmente aqueles no início de seu desenvolvimento. Entendemos que esse momento é de apoiar os negócios acelerados para que possam continuar gerando impacto socioambiental positivo, se recuperar e continuar sua jornada mais rapidamente no futuro. “, disse Anna Toness, líder da equipe de meio ambiente da USAID, uma das organizações investidoras do programa.

O cronograma de aceleração da turma de 2020 também passou por ajustes, e encontros presenciais previamente agendados para os primeiros seis meses de 2020 foram provisoriamente remarcados para o segundo semestre, a depender do quadro futuro. O cronograma já previa atividades à distância, e com a pandemia, o número de webinars aumentou nesses meses.

Em junho, começam as mentorias à distância, oferecidas de modo customizado, em acordo com as necessidades de cada negócio. Os 17 mentores, voluntários, foram selecionados dentre 106 inscritos e ajudarão os empreendedores em áreas como finanças, marketing, gestão, governança, desenvolvimento de produto, modelagem de negócio, estratégia comercial, e-commerce, dentre outras.

Também neste mês os negócios apoiados pelo Programa poderão se inscrever para acessar os recursos do fundo de capital de giro.

 A SITAWI Finanças do Bem, que em março promoveu uma rodada de investimento para cinco negócios de impacto acelerados pelo Programa por meio da sua Plataforma de Empréstimo Coletivo, está dando suporte aos empreendedores para enfrentar este momento. Com apoio do Instituto Humanize e da USAID, fez um novo empréstimo de longo prazo aos negócios que participaram da rodada. Na prática, para os tomadores do crédito, é como se tivessem um período estendido de carência nos meses iniciais de pagamento do valor captado pela Plataforma. 

A SITAWI também apoiou as organizações com uma análise e um acompanhamento muito próximos. Para cada uma, fez uma nova projeção financeira, levando em conta o cenário atual, ajudou a identificar as questões emergenciais que deveriam ser tratadas e a buscar soluções a elas, aconselhando em negociações e decisões mais estratégicas, como a implementação de novos canais de venda, entre outros pontos. Ainda realizou encontros virtuais com os empreendedores e seus parceiros para dialogar sobre questões relacionadas ao momento de crise provocada pela pandemia.

Para os investidores da plataforma, a SITAWI teve a preocupação de se comunicar com transparência sobre os reflexos do momento para os negócios de impacto na Amazônia e sua atuação para apoiá-los.

“Cada investidor e parceiro da PPA teve que olhar para os recursos que tinha à mão e dar o melhor de si para apoiar os negócios de impacto, para que eles pudessem continuar firmes na sua missão. Foi uma ação muito coordenada entre os atores e financiadores em torno da PPA, para que a gente pudesse ter uma resposta muito rápida, que atendesse a demanda dos negócios e para que conseguíssemos apoiá-los. A preocupação da SITAWI sempre foi apoiar esses negócios, fortalecê-los e criar um instrumento financeiro com credibilidade para o mercado e para as pessoas que acreditaram nos negócios de impacto da Amazônia”, diz Andrea Resende, gerente de investimento de impacto da SITAWI.


Parceria com o Mercado Livre

O Mercado Livre, maior plataforma de e-commerce e tecnologia financeira da América Latina, se uniu à PPA para promover a venda online de produtos da biodiversidade amazônica na sua plataforma.

A iniciativa faz parte da estratégia de sustentabilidade do Mercado Livre que, entre outros objetivos, busca capacitar e apoiar a atuação de empreendimentos que já promovem impactos socioambientais positivos, além de ampliar a venda de produtos sustentáveis na plataforma.

“Entendemos que o comércio eletrônico pode ser uma alternativa para os desafios de comercialização e logística na região, e que o incentivo a esses empreendedores contribui para a geração de renda e para a conservação florestal no território, além de apoiá-los neste delicado momento de pandemia”, afirma Laura Motta, Gerente de Sustentabilidade do Mercado Livre.

 

A Amazônia oferece produtos incríveis, que são desconhecidos pela maioria dos brasileiros. O grande desafio da atualidade é movimentar uma nova economia para a região por meio de empreendedores e negócios sustentáveis, que geram renda e qualidade de vida para comunidades locais e ajudam a conservar a floresta. No contexto atual, esses empreendimentos perderam acesso aos mercados e praticamente interromperam suas atividades – já que não estavam preparados para o comércio online. O nosso maior objetivo na parceria com o Mercado Livre é abrir novos canais de comercialização e conectar um pouco mais os brasileiros com a floresta amazônica”, afirma Mariano Cenamo. 

A previsão é de que, até o final do ano, pelo menos 20 empreendimentos façam parte da iniciativa e de que mais de mil famílias, de 60 comunidades locais, sejam beneficiadas com a ação.

 

Negócios também se movimentam

Alguns dos negócios também promovem campanhas de financiamento coletivo como forma de manter protegidas as comunidades da cadeia produtiva e gerar renda. É o caso da Na Floresta/Na’Kau, que processa e comercializa chocolates genuinamente amazônicos de diversos sabores, gerando renda e mais qualidade de vida para famílias ribeirinhas localizadas nos rios Madeira e Amazonas. Artur Coimbra, fundador da Na Floresta/Na’kau, se diz surpreso com a adesão da sociedade à campanha, que já bateu a primeira meta de arrecadação.

A Da Tribu, empreendimento acelerado pelo Programa em 2019 que trabalha com acessórios sustentáveis em parceria com famílias na Amazônia Paraense, também iniciou campanha: “A pandemia do coronavírus trouxe fragilidades e desafios à comunidade de Pedra Branca, já que a venda dos produtos da Da Tribu no mercado nacional deixou de acontecer. Estamos empenhadas em garantir entrada de recursos para as famílias de Cotijuba pelos próximos três ou quatro meses, para que elas continuem vivendo com qualidade de vida e expandindo seus sonhos por dias melhores”, diz Tainah Fagundes, da Da Tribu.

A Tucum Brasil, que comercializa produtos e artesanato da cultura indígena de várias etnias e busca valorizar e promover a arte dos povos da floresta por meio de relações comerciais pautadas pela legalidade e equilíbrio financeiro, trabalha com e-commerce há algum tempo e promoveu descontos progressivos para incentivar o consumo.

“Vamos continuar realizando os pagamentos para essas comunidades. A gente acredita que manter a economia da floresta ativa de algum modo – continuar a comprar o artesanato e a arte desses povos, mesmo que eles não consigam enviar as encomendas – ajuda em sua sustentabilidade econômica neste período. Estamos pagando todos e vamos manter as encomendas. Eles as enviarão quando for possível. O momento é de girar a roda e fazer esse recurso chegar lá na ponta,” diz Amanda Santana, uma das fundadoras da Tucum Brasil.

 

Sobre o Programa de Aceleração da PPA

O Programa de Aceleração e Investimento de Impacto da PPA destaca-se por estar 100% dedicado ao empreendedor que atua na Amazônia, como também às demandas e realidades regionais. É liderado por um grupo de empresas da PPA, coordenado pelo Idesam (Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia) e conta com apoio estratégico e financeiro da USAID (Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional ), CIAT, Instituto Humanize e Fundo Vale. Considerado o melhor programa de aceleração da região norte do Brasil segundo a Anprotec, em dois anos de atuação o Programa investiu quase R$ 6 milhões em negócios amazônicos, trazendo opções customizadas e adaptadas aos diversos tipos de negócios, com diversidade de fontes (capital privado e filantrópico) e mecanismos financeiros. 

 

Sobre a PPA

A Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA) é uma plataforma de ação coletiva orgânica em expansão, liderada por empresas do setor privado cujo objetivo é desenvolver e identificar soluções inovadoras para o desenvolvimento sustentável e conservação da biodiversidade, florestas e recursos naturais da Amazônia. Atua por meio de quatro grupos temáticos (GTs): (1) Empreendedorismo, negócios sustentáveis e investimentos de impacto; (2) Bioeconomia; (3) Cadeias de Valor da Amazônia; (4) Gestão Territorial, conservação e comunidades.

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