encauchados de vegetais da amazônia

Promover a revitalização da borracha na Amazônia, gerando renda com inclusão, evitando o desmatamento e resgatando a identidade seringueira é o que move o trabalho do Encauchados de Vegetais da Amazônia.

Por meio do extrativismo sustentável orgânico do látex nativo, utilizando tecnologia social e envolvendo povos indígenas, seringueiros, ribeirinhos, quilombolas e assentados da reforma agrária, são produzidos chinelos orgânicos de borracha nativa e fibras vegetais, além de utensílios, biojoias, acessórios e embalagens.

A ideia do negócio veio a partir da desvalorização e desmonte do mercado da borracha na Amazônia, processo que deixou os seringueiros sem apoio, forçando-os, muitas vezes, a migrar para periferias de cidades ou a desmatar terras para criação de bois. Francisco Samonek, fundador da Encauchados de Vegetais da Amazônia, iniciou o projeto no Acre, com o chamado couro ecológico, e aos poucos o negócio, que recupera a técnica indígena de fabricação da borracha incrementando-a com outros processos, tornou-se uma tecnologia social, recebendo recursos não reembolsáveis de fontes como CNPQ, FINEP, Petrobras, Fundação Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Duas universidades, a UFAC e a UFPA, se envolveram no desenvolvimento do negócio.

O negócio nasceu como projeto de mestrado de Francisco na Universidade Federal do Acre, e já ganhou diversos prêmios. Hoje, conta com duas patentes concedidas – vulcanização artesanal e emborrachado -, devido à pesquisa do empreendedor.

“Melhoramos a qualidade dos produtos, propusemos um design mais arrojado como o das folhas, e hoje somos uma rede, a Rede Ecoforte dos Encauchados, que conta com 75 comunidades extrativistas envolvendo aproximadamente 1.500 pessoas na fabricação do artesanato, localizadas em Feijó, Tarauacá, Sena Madureira no Acre, Boca do Acre e Borba no Amazonas e Breves, Curralinho, Anajás, Oriximiná, Belterra, Santarém, São Francisco do Para, Acará, Belém, Castanhal, Inhangapi, São Miguel do Guamá e Senador José Porfírio, no Pará. E outras 84 famílias trabalham em unidades familiares, produzindo a borracha para a fabricação do chinelo”, diz Francisco. Essas 84 famílias, localizadas nos municípios de Anajás e Santarém, estão em processo de cadastramento, junto ao Ministério da Agricultura, como produtoras de látex orgânico.

Até 2015, o grupo trabalhava apenas com produção de artesanato. Nos últimos anos, foi desenvolvido o chinelo com borracha de seringais nativos, que se transformou em empreendimento econômico coletivo. Estão envolvidas na produção duas organizações: a ONG Poloprobio – que realiza atividades de desenvolvimento e replicação da tecnologia social dos Encauchados – e a COOPERECO – cooperativa que transforma a borracha em chinelos.

“Conseguimos fazer com que os seringueiros sejam empreendedores e produzam, a nível de campo, uma borracha melhorada. Assim, na Cooperativa eliminamos a parte mais cara e poluente da cadeia produtiva da borracha, que é a usinagem. Para a limpeza de cada quilo de borracha uma usina de beneficiamento usa 10 litros de água. Nós não usamos água. O seringueiro produz uma borracha limpa e com pouca umidade, que chega à cooperativa e segue direto para a produção do chinelo”, aponta Francisco.

Outro ponto importante na produção é a eliminação de todos os aditivos derivados de petróleo no processamento da borracha, substituídos por produtos naturais como óleo vegetal, cera de carnaúba, estearina vegetal e outras cargas vegetais provenientes de resíduos de agroindústria – açaí, muru-muru, catanha, andiroba e pracaxi.

O produto do Encauchados está presente em mais de 20 pontos de venda em Belém, Recife, Belo Horizonte, Florianópolis, São Paulo e Rio de Janeiro. Atualmente, o negócio está em fase de captação para ampliação da indústria e implantação de unidades financeiras de produção controladas (extrativismo sustentável). E mira também o mercado externo.

RAIO-X

ENCAUCHADOS DE VEGETAIS DA AMAZÔNIA

CIDADE / ESTADO

CASTANHAL - PA

DATA DE FUNDAÇÃO

-

NATUREZA NEGÓCIO

COOPERATIVA

MODELO

B2B2C

TAMANHO EQUIPE

84 COLABORADORES

PATENTE

SIM

FASE DO NEGÓCIO

PRÉ-ESCALA

SOBRE A EMPRESA

Produção e comercialização de calçados, artesanato, bolsas e acessórios com látex nativo utilizando tecnologia social.

O QUE RESOLVE

Revitalização da borracha na Amazônia, gerando renda, inclusão e autonomia aos produtores familiares, além de evitar o desmatamento.

IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS POSITIVOS

Geração de renda (01 a 02 salários mínimos por família). Melhoria na qualidade de vida. Diversificação de fonte de renda (complementar ao açaí). Capacitações e treinamentos. Para cada quilo de borracha produzido, 01 hectare de floresta é preservado.

ODS

OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

ERRADICAÇÃO DE POBREZA

IGUALDADE DE GÊNERO

TRABALHO DECENTE E CRESCIMENTO ECONÔMICO

CONSUMO E PRODUÇÃO RESPONSÁVEIS

PRODUTO
Bolsas, jogos americanos, toalhas de mesa, calçados, folhas diversas e vitória-régia.

RESULTADOS
Exportação de produtos brasileiros para 55 países. Faturamento de R$ 15 mi/ano e 15% de margem líquida. Estratégia de acesso a mercado montado e ampla expertise no comercio internacional. Certificação ISO, equipe completa e processos de gestão bem sólidos.

IMPACTO

SINALIZA O PROPÓSITO DO IMPACTO?

ACOMPANHA O IMPACTO?

FUNDADORES

FRANCISCO SAMONEK E MARIA ZELIA MACHADO DAMASCENO

CONTATO