Participantes do Programa de Aceleração se reúnem em Alter do Chão para último workshop da jornada de capacitação

O último workshop presencial da primeira turma do Programa de Aceleração da Plataforma Parceiros Pela Amazônia (PPA) aconteceu nos dias 28 a 30 de agosto em Alter do Chão, no Pará. Focado em finanças, investimentos e storytelling, o encontro reuniu os empreendedores ao longo dos três dias para avançar em temas como comercialização online para produtos amazônicos, introdução à contabilidade, lucro líquido e fluxo de caixa, demonstração de resultados, projeções futuras e Pitch Deck e storytelling. Os facilitadores foram Leonardo Letelier e Fernanda Dativo, da Sitawi, e Laura Motta, do Mercado Livre. 

Os dois primeiros dias foram destinados a abordar temas do comércio online de produtos amazônicos e da contabilidade. Laura Motta compartilhou com os empreendedores lições aprendidas pelo Mercado Livre e dicas para potencializar a comercialização de produtos online. E Fernanda Dativo avançou com o grupo em valuation, análise de demonstrações financeiras, criação de índices de desempenho e construção de informações para tomada de decisão e captação de investimentos. 

“Temos que pensar em como valorizar o processo de produção a favor do comércio online, para gerar posicionamento e storytelling de marca. No caso da Amazônia, muitos dos produtos não terão a velocidade esperada de produção no sudeste do país, por exemplo, então é bacana valorizar o processo produtivo detalhando as etapas e informando isso ao consumidor. O que poderia ser um problema pode virar oportunidade com a valorização do trabalho, do processo e do impacto que gera”, apontou Laura.

Na abordagem sobre finanças, Fernanda iniciou o workshop afirmando que as finanças não são uma ciência exata, e sim fontes de informação: “É importante ter em mente como mostrar e interpretar, mas não existe nada exato. As maiores dores dos empreendedores são entender a operação por si só, o potencial de alcance, se é lucrativa, se precisa mudar, a entrada de despesas que não são da operação e dão prejuízo, prever custos e entender capacidade de produção, chamar investidores, tomar decisões, entender para detectar problemas antes que eles aconteçam”.

 “Essa linguagem financeira, que não é fácil, foi compartilhada conosco de uma forma muito suave. Aqui temos negócios em estágios muito diferentes, e apesar disso o modo como os conceitos foram apresentados fez com que fossem entendidos por todo mundo. Eu nunca vi nada sobre finanças e investimentos de uma forma tão didática”, avalia César De Mandes, da empresa Chocolate de Mendes. 

No terceiro dia do workshop, Leonardo Letelier, CEO da Sitawi, avançou com os empreendedores em abordagens focadas em determinar tipos de investimento ou financiamento adequados para cada etapa do negócio e na construção de Pitch Deck e Storytelling

O grupo teve a oportunidade de rever os pitchs apresentados para a Chamada PPA de Negócios de 2018, e o resultado foi apresentado pelos empreendedores na última atividade prática do workshop. 

“É um processo de voltar a olhar para esse pitch que fizemos no início do Programa de Aceleração, de reflexão. Percebemos as deficiências que ele tinha: nossa equipe não estava na apresentação, nem nossos números, competidores e lugar no mercado. O grande pulo do gato aqui hoje foi a reflexão e a maturidade”, avalia Joziane Alves, da 100% Amazônia. 

Leonardo Letelier avalia que os empreendedores se saíram bem na reformulação dos pitchs e sabem o que precisa ser melhorado: “Quem aqui fez o dever de casa, pensou no que ia nos apresentar, realmente fez apresentações melhores”. 

Para a coordenadora do Programa de Aceleração da PPA, Ana Carolina Bastida, o último workshop foi importante para fechar a jornada de aceleração, que anteriormente levou aos empreendedores tese de impacto, modelo de negócios, mercado e gestão. “Abordamos agora as questões financeiras, os principais indicadores, e isso é importante para que eles saibam como interpretar a contabilidade do seu negócio e a partir disso tomar decisões. E também que tipo de informações devem ser levadas para os investidores, e quais tipos de investimento mais adequados para cada perfil de negócio. A elaboração desse pitch elevator junta um pouco de tudo o que eles já viram no Programa – mercado, impacto, capacidade organizacional, equipe – e ajuda a treinar o storytelling”.

Conexões

Empreendedores de 10 dos 15 negócios acelerados visitaram em Belterra, a cerca de 40 minutos de Alter do Chão, a Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais de Belterra (Amabela), referência da defesa do cultivo e consumo de alimentos sem agrotóxico na região e no cuidado com o meio ambiente. Ao todo, 45 mulheres se dedicam a plantar em seus quintais. 

O grupo ouviu um pouco da história de criação e atuação da Amabela e foi recepcionado com um jantar preparado especialmente para o encontro. César De Mendes, do empreendimento Chocolate De Mendes, já conhecia o trabalho das mulheres, em especial um dos produtos em específico, o Cupulate, parecido com chocolate, só que feito com o cupuaçu. Em parceira com a Amabela, De Mendes vai lançar em breve uma barra de cupulate. 

“Em novembro vou trazer estufa de secagem, forno e dois freezers grandes para cá. Elas são carentes de estrutura física para esse processo de produção do cupulate. Elas vão oferecer a matéria prima para a barra e eu vou ajudá-las na padronização. A tecnologia social é delas, e vamos trazer essa história da Amabela para dentro do produto, pra que o consumidor conheça tudo isso”, diz Cesar. 

As conexões têm sido importantes ao longo do Programa de Aceleração da PPA, tanto com potencial de cruzamento entre os negócios como de fortalecimento desses empreendedores.

“O Programa como um todo tem sido muito bom em conexões e aprendizados, de perceber que não somos loucos sozinhos em termos de impacto e Amazônia. Me surpreendeu muito, e ajudou especialmente na nossa visão de impacto. Nossa motivação sempre foi tornar os sabores amazônicos mais conhecidos e acessíveis, porque nós somos da área de gastronomia. Mas a gente não se enxergava como negócio de impacto. Passamos a mensurar e valorizar isso na nossa comunicação e internamente na equipe”, diz Joanna Martins, da Manioca. 

Mariano Cenamo, coordenador executivo da PPA e diretor de novos negócios do Idesam, avalia que o ciclo de capacitação do Programa como um todo foi bem desenhado em função do que essa turma de empreendedores trouxe como necessidade – impacto, mercado, gestão e finanças –, e que a conexão estabelecida entre eles é realmente uma força. “Esses encontros foram muito importantes também para ampliar essa conexão. No primeiro dia do primeiro workshop eles estavam distantes, no segundo já mais próximos, querendo conhecer melhor um ao outro e seus negócios. No segundo workshop já houve uma interação mais próxima, e a cada encontro a gente percebe que eles se conhecem mais e já pensam em fazer negócios juntos. Isso foi o mais rico das capacitações”.

Ao fim do workshop, os empreendedores foram convidados a definir em uma palavra como se sentiam. As palavras que mais apareceram foram gratidão, parceria, motivação, aprendizado, desafio, conhecimento e esperança. 

Embora a série de workshops presenciais tenham terminado, o grupo continua recebendo orientações individuais até o final do ano. Alguns dos empreendedores inclusive se candidataram para as rodadas de negócio da Chamada realizada este ano, que selecionará outros 15 empreendedores para participarem do Programa de Aceleração em 2020 e/ou participarem da Rodada de Investimento em dezembro de 2019. 

“Agora ajudamos a preparar quem vai se candidatar a investimento e trabalhamos para fortalecer essa rede cada vez, buscando concretizar essas possibilidades de conexão, do fazer negócios junto, de fortalecê-los. Esse é o grande desafio”, diz Ana Carolina.

Para saber mais sobre o Programa de Aceleração da PPA e dos negócios acelerados em 2019, acesse: http://aceleracao.ppa.org.br/

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